“As pessoas só passam a fiscalizar quando uma tragédia acontece”

“As pessoas só passam a fiscalizar quando uma tragédia acontece”

A prevenção contra incêndios nas escolas de Ensino Infantil e Fundamental de Vitória tem sido alvo de diversas discussões nos últimos meses, principalmente em função da maioria ainda funcionar sem o Alvará do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES).

Diante disso, o vereador Mazinho dos Anjos (PSD), como presidente das comissões de Segurança Pública e de Obras e Serviços, na Câmara Municipal de Vitória (CMV), convidou o Ten. Cel. Comandante do 1º Batalhão do CBMES, Scharlyston Martins de Paiva, para falar sobre o Programa Escola Segura, do qual é coordenador. O encontro aconteceu no último dia 18 de abril, no Plenário da CMV.

Assista a reunião pelo Youtube.

Scharlyston Paiva é Tenente-Coronel do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar do ES e coordenador do Programa Escola Segura

Scharlyston Paiva tem palestrado nas escolas a respeito da prevenção contra incêndios e, em parceria com a Prefeitura Municipal de Vitória, começou a desenvolver o Programa Escola Segura. O objetivo central é implantar no cotidiano nas pessoas uma cultura de prevenção e consciência de que todos somos responsáveis.

“As pessoas só passam a fiscalizar quando uma tragédia acontece”, pondera.

Pilares do “Escola Segura” e a situação das escolas sem alvará

  • O primeiro pilar do Projeto Escola Segura é o Licenciamento e o Sistema de Proteção contra Incêndio e Pânico. O Alvará do CBMES é o documento que atesta que o estabelecimento possui condições de funcionar, dentro da norma de segurança contra incêndio. Já o Sistema de Proteção é composto por todo equipamento de sinalização e emergência.

Segundo Scharlyston, o Corpo de Bombeiros percorreu as 109 edificações municipais da Capital, sendo 103 escolas, cinco equipamentos municipais e a própria sede da Secretaria Municipal de Educação (Seme). Foi constatado que apenas nove escolas municipais possuíam o Alvará do Corpo de Bombeiros.

“É um absurdo termos escolas funcionando sem o alvará de licenciamento. Felizmente todas as unidades de ensino estão agindo para solucionar o problema. Nossa meta é que todas elas estejam regularizadas até dezembro deste ano“, afirma o Comandante do CBMES.

Porém, ele ressalta que o alvará, mesmo sendo tão importante, é apenas o primeiro passo.

“O Projeto Escola Segura vai além. Na hipótese de uma escola sofrer um incêndio, mesmo com o alvará, as crianças saberiam como escapar do acidente? O mesmo se aplica a nós quando frequentamos cinemas, lojas, salões de beleza, hotéis, etc”, questiona.

  • Por isso, o segundo pilar é a elaboração de um Plano de Prevenção e Emergência, fundamentado em análise de risco, público e rotinas. Também é feito treinamento e simulações com professores, alunos e pais.
  • O terceiro e último pilar é a Certificação. Para receber o Selo de Escola Segura, as escolas precisam concluir os dois passos: o licenciamento, o plano de prevenção e risco.
Na foto, o vereador Luiz Paulo Amorim, o tenente-coronel Scharlyston Paiva e o vereador Mazinho dos Anjos

Escola Segura é pioneiro no Brasil

Paiva trabalha com capacitação na investigação de incêndio desde 1998 e fez especialização, em 2012, em Chicago, nos Estados Unidos. Segundo ele, o Programa Escola Segura é de grande eficácia e o Espírito Santo é pioneiro no Brasil nesse tipo de abordagem.

Ele também fez uma simulação comparando um incêndio em uma casa antiga e uma atual. A primeira demorou 29 minutos para que o fogo se alastrasse, já a segunda levou 3,5 minutos (já que hoje os materiais usados são muito mais inflamáveis). Confira na imagem abaixo:

Secretária Municipal de Educação não comparece à reunião

A Secretária Municipal de Educação, Adriana Sperandio, também foi convidada. No entanto, ela não compareceu ao encontro na data agendada, sem justificar ou enviar um representante.

Estiveram presentes, os vereadores Luiz Paulo Amorim (PV), Roberto Martins (PTB), Wanderson Marinho (PSC), Sandro Parrini (PDT) e Amaral (PHS).

Deixe uma resposta